Em nenhuma outra cidade do Atlântico é que uma baleia, uma imperatriz e uma prancha de surf contam a mesma história. No entanto, em Biarritz, na Nova Aquitânia, foi mesmo isso que aconteceu.
Há um fio invisível que atravessa toda a história de Biarritz e chega até às suas praias cheias de surfistas: o Atlântico.
Muito antes de a cidade se tornar um dos locais balneares mais elegantes da Europa, era destas costas que os pescadores bascos partiam à procura de baleias. O mar era trabalho, sobrevivência e perigo. Em torno dessas expedições surgiram também lendas, como a dos Laminak, criaturas misteriosas da mitologia basca ligadas às rochas e ao mar.
Depois, o Biarritz mudou de cara.
No século XIX, chegaram Eugénia de Montijo e Napoleão III, e a pequena vila de pescadores transformou-se num destino turístico muito procurado pela aristocracia europeia. Reis, príncipes e nobres escolheram esta costa para as suas férias e Biarritz tornou-se a praia dos reis.
Mas a história da cidade não ia ficar por aí.
Em 1956, um realizador americano chamado Peter Viertel olhou para as ondas da Côte des Basques e reconheceu ali algo que conhecia bem da Califórnia: o surf. O que poderia parecer uma simples curiosidade acabaria por mudar para sempre a relação de Biarritz com o oceano. Uma prancha que chegou dos Estados Unidos, um encontro com um jovem apaixonado por tecnologia e uma série de experiências na praia deram origem à primeira geração de surfistas franceses.
Desde então, as ondas tornaram-se parte da própria identidade da cidade.

Hoje, Biarritz é conhecida em todo o mundo pelo surf e pela sua cultura dos desportos aquáticos, mas basta olhares para além das pranchas e das praias para descobrires uma história muito mais antiga e surpreendente.
Esta é a história das muitas vidas de Biarritz: dos caçadores de baleias aos reis, dos reis aos surfistas. Uma história em que, ao longo dos séculos, o Atlântico continuou a ser o único verdadeiro protagonista.
Biarritz e os caçadores de baleias
A relação entre Biarritz e a caça à baleia é muito antiga. As fontes locais referem uma tradição que remonta, pelo menos, à Idade Média, altura em que a pesca de grandes cetáceos era uma atividade importante ao longo da costa basca.
A caça começavano Atalaye, o promontório que domina o mar. Aí, um vigia observava o horizonte e, quando avistava o jato característico de uma baleia, dava o alarme. As tripulações corriam então para os seus barcos para perseguir o cetáceo.
Os barcos eram pequenos em comparação com os enormes animais que tinham de enfrentar. A caça à baleia exigia experiência, coragem e um profundo conhecimento do Atlântico.
No entanto, uma baleia era um recurso valioso para a comunidade: da sua gordura extraía-se óleo e várias partes do animal eram aproveitadas.
Com o declínio progressivo da presença de cetáceos ao longo da costa, esta atividade tornou-se cada vez mais difícil.
A última captura de uma baleia diretamente nas águas de Biarritz remonta a março de 1686.
Era o fim de uma era.
A memória dos baleeiros, no entanto, ficou profundamente ligada à identidade da cidade, ao ponto de ainda hoje estar representada no brasão de Biarritz.
Os ventos, os astros e o mar ajudam-me: o brasão de Biarritz conta a sua história
Há um lugar onde a história dos baleeiros de Biarritz ficou gravada de forma particularmente evidente: o brasão da cidade.

No brasão aparece um pequeno barco com cinco homens a caçar uma baleia. Um dos pescadores está prestes a lançar o arpão, enquanto o cetáceo mergulha entre as ondas. Na parte de cima, aparecem também três conchas e uma estrela.
Esta representação não é por acaso: a baleia e os pescadores lembram o papel que a caça aos cetáceos teve na história da comunidade.
Ainda mais marcante é o lema associado ao brasão:
Aura, sidus, mare adjuvant me, ou seja, Os ventos, os astros e o mar ajudam-me.
É uma frase que parece marcar toda a história de Biarritz.
Os ventos, os astros e o mar eram os elementos dos quais dependiam os marinheiros de antigamente; séculos mais tarde, tornaram-se os mesmos elementos que guiam os surfistas e os fãs de desportos aquáticos.
De certa forma, o brasão antecipa, portanto, toda a história da cidade: uma comunidade que nasceu do mar e que, do mar, continuou a retirar a sua identidade.
A lenda da Roche Percée e dos Laminak
Para além da história documentada dos baleeiros, Biarritz também guarda uma tradição lendária profundamente ligada ao mar.
É a história da Roche Percée, também conhecida como Roche Ronde, e dos Laminak, criaturas do folclore basco.
Segundo a lenda, um barco de pesca de Biarritz está a regressar a casa depois de uma expedição de caça à baleia que correu completamente mal. Os pescadores estão cansados e desiludidos: passaram o dia no mar sem conseguirem apanhar nada.
Quando o barco chega às rochas perto do porto, os marinheiros ouvem de repente um canto incrível vindo da costa.
São vozes femininas.
A tradição conta que nas rochas da Roche Percée vivem os Laminak, criaturas com a aparência de mulheres lindíssimas e sobrenaturais. Nesta lenda em particular, são descritas com uma cauda de peixe no lugar das pernas, e o seu canto é tão fascinante que consegue atrair os marinheiros.
Os homens, fascinados, decidem mudar de rumo e dirigir-se para a rocha, ignorando as ordens do capitão.
O comandante percebe o perigo e tenta desesperadamente detê-los. Quando percebe que os homens não querem obedecer, ajoelha-se e reza a Deus para que os salve.
A oração é atendida, mas a salvação tem um preço: os marinheiros são transformados em corvos-marinhos, condenados a viver para sempre sobre o oceano.
É uma lenda, claro, mas conta de forma sugestiva a relação ancestral dos bascos com o mar: uma força capaz de dar sustento, mas também misteriosa, imprevisível e perigosa.
Ainda hoje, a Roche Percée está ligada a esta história e os corvos-marinhos que frequentam a zona estão, segundo a tradição, ligados à memória daquela antiga tripulação.
A «praia dos Reis»: Eugénia de Montijo e Napoleão III
Depois do fim da era dos baleeiros, Biarritz começou aos poucos a mudar.
Já no século XIX, a cidade começou a atrair visitantes interessados nos banhos de mar. Mas a verdadeira viragem aconteceu com Eugénia de Montijo, futura imperatriz de França.
A Eugénia conhecia Biarritz desde a infância e já tinha visitado a cidade antes de se tornar imperatriz. Depois de casar com o Napoleão III, voltou à cidade em 1854 e convenceu o imperador Napoleão III do encanto da costa.
O Napoleão mandou construir para ela uma residência de verão com vista para o Atlântico: a Villa Eugénie, concluída em 1855. A residência tornou-se o centro da vida imperial durante as estadias do casal, que voltava a Biarritz todos os anos até 1868.
Hoje, o edifício é conhecido como Hôtel du Palais.
A presença da imperatriz mudou radicalmente o destino da cidade.
Na sua comitiva vieram reis, príncipes e aristocratas de toda a Europa: os soberanos de Württemberg, da Bélgica e de Portugal, príncipes russos, polacos e romenos, nobres espanhóis e lordes ingleses.
Biarritz chegou a receber cerca de 10 000 turistas por época.
A zona da residência imperial passou a ser conhecida como «plage des rois», a praia dos reis, enquanto a cidade se enchia de grandes vilas e residências aristocráticas.
Quando a corte imperial chegava a Biarritz, a cidade mudava de ritmo: a pequena vila costeira transformava-se no palco da vida social europeia, entre passeios na Grande Plage, receções e estadias nas grandes vilas.
O Atlântico, que durante séculos tinha sido sobretudo uma fonte de trabalho e de perigo, passou assim a ser também o cenário de férias e de prestígio.
A aldeia de pescadores tinha-se transformado numa das localidades mais elegantes da Europa.

A Grande Plage, o Casino e a Biarritz da Belle Époque
A Grande Plage tornou-se o coração da nova Biarritz.
Aqui, o Atlântico ganhava um significado completamente diferente. Já não era só o mar onde os pescadores saíam: tornava-se um local de férias, bem-estar, passeios e vida social.
A praia, rodeada pelos edifícios da nova cidade balnear, representava na perfeição essa transformação.
A completar a nova cara da cidade esteve também o Casino Municipal, com vista para a Grande Plage. O complexo foi inaugurado em 1901 e tornou-se um dos símbolos da Biarritz mondana da Belle Époque. O edifício que vemos hoje, por sua vez, data da reconstrução de 1928-1929, em estilo Art Déco.
O Casino ajudou a consolidar o papel de Biarritz como um grande destino internacional para férias, jogos e vida social.
A diferença em relação ao passado é evidente.
No mesmo lugar onde, antigamente, o mar significava sobretudo pesca e sobrevivência, agora chegavam visitantes de toda a Europa para passar férias, assistir a espetáculos e curtir a agitação da época balnear.
Ainda hoje, ao olhares para a Grande Plage, dá para perceber essa transformação: por um lado, a elegância da Biarritz aristocrática; por outro, o oceano que continua a dominar a paisagem.
Mas a relação entre Biarritz e o mar ia mudar mais uma vez.
Quase um século depois da época de Napoleão III, o Atlântico viria a tornar-se o palco de uma nova geração.
1956: Peter Viertel e a prancha de surf que mudou Biarritz
A história do surf em Biarritz parece quase uma lenda moderna.

Em 1956, a cidade foi palco das filmagens do filme *The Sun Also Rises* (O Sol Também Nasce), baseado no romance de Ernest Hemingway.
Entre as pessoas envolvidas na produção estava o Peter Viertel, argumentista americano e surfista.
O Viertel olhou para as ondas da Côte des Basques e reconheceu algo que conhecia bem da Califórnia: ondas perfeitas para surfar.
O produtor e surfista californiano Dick Zanuck mandou trazer uma prancha dos Estados Unidos. O Viertel tentou usá-la, mas nas primeiras tentativas a prancha partiu-se.
Foi aí que entrou em cena Georges Hennebutte, um jovem apaixonado por tecnologia e mecânica, que estava destinado a tornar-se uma figura fundamental na história do surf francês. O Hennebutte conseguiu reparar a prancha e, em setembro de 1956, os dois começaram a surfar juntos na Côte des Basques.
O episódio pode parecer insignificante, mas, na verdade, marcou o início de uma revolução.
No ano seguinte, o Viertel voltou a Biarritz com várias pranchas e envolveu outros jovens locais, incluindo o Jacky Rott e o Joël de Rosnay.
Desse pequeno grupo nasceria a geração dos Tontons Surfeurs, os pioneiros do surf francês.
A Côte des Basques tornou-se o laboratório deles.
Tinha começado uma nova era.

Os Tontons Surfeurs, os pioneiros do surf francês
O Peter Viertel trouxe para Biarritz a curiosidade pelo surf, mas foram alguns jovens locais que transformaram essa curiosidade numa verdadeira cultura.
Ficaram na história como os Tontons Surfeurs, o grupo de pioneiros que, entre o final dos anos 50 e os anos 60, ajudou a dar origem ao surf francês.
Entre os nomes mais importantes estavam Georges Hennebutte, Jacky Rott e Joël de Rosnay, aos quais se juntaram outros jovens que estavam destinados a tornar-se protagonistas da primeira geração do surf de Biarritz.
No início, não havia escolas, lojas especializadas nem uma verdadeira indústria do surf. As pranchas eram difíceis de encontrar e, muitas vezes, tinham de ser construídas ou adaptadas artesanalmente.
Aprender a fazer surf também significava, acima de tudo, observar, experimentar e partilhar as tuas experiências com os outros.
Os Tontons Surfeurs transformaram assim a Côte des Basques no seu laboratório de surf no Atlântico. Entravam na água, estudavam as ondas, experimentavam novas pranchas e tentavam perceber como tirar o máximo partido das condições do Atlântico.
O papel deles não se limitou apenas ao desporto.
Foram eles que contribuíram para o nascimento de uma verdadeira cultura do surf em Biarritz, marcada pela amizade, pela aventura e por uma relação muito próxima com o oceano.
A história deles também conta um aspeto curioso da transformação da cidade.
Algumas décadas antes, Biarritz tinha sido o destino da aristocracia europeia; agora, uma nova geração de jovens ocupava as mesmas praias com pranchas debaixo do braço e fatos de surf.
Em setembro de 1959, surgiu o Waïkiki Surf Club, um dos primeiros clubes de surf franceses e o primeiro diretamente ligado àquela geração de pioneiros.
Essa pequena comunidade teria ajudado a transformar uma moda que veio da Califórnia numa parte integrante da identidade da cidade.
E é precisamente graças aos Tontons Surfeurs que a história do surf em Biarritz deixa de ser apenas a história do Peter Viertel e passa a ser a história de uma cidade inteira.

A Côte des Basques, o berço do surf europeu
A Côte des Basques é o lugar que, mais do que qualquer outro, representa essa transformação.
Situada ao pé das falésias, a sul do centro de Biarritz, a praia oferece condições particularmente favoráveis para a prática do surf e uma vista espetacular sobre o Atlântico.
Foi aqui que a cultura do surf francesa deu os seus primeiros passos.
Em poucos anos, uma modalidade praticamente desconhecida em França transformou-se numa verdadeira cultura local. Os entusiastas começaram a construir e a experimentar novas pranchas e o surf foi-se tornando, aos poucos, parte da vida quotidiana da cidade.
Em 1966, o Jo Moraiz abriu em Biarritz aquela que é considerada a primeira escola de surf de França.
A partir desse momento, o surf deixou definitivamente de ser apenas uma atividade de um pequeno grupo de pioneiros e começou a tornar-se uma verdadeira indústria desportiva e turística.
O contraste com o passado é surpreendente.
Durante séculos, os habitantes observavam o mar a partir da costa à procura de baleias.
Agora começavam a entrar na água para apanhar ondas.
Do surf ao windsurf: a nova forma de curtir o oceano
O sucesso do surf contribuiu para o surgimento de uma cultura mais ampla dos desportos aquáticos.
A par do surf, surgiram modalidades como o bodyboard e o windsurf, nas quais a relação com o oceano assume formas diferentes.
O windsurf traz mais um elemento: o vento.
O surfista tem de ler as ondas e encontrar o momento certo para as apanhar. Quem pratica windsurf, por sua vez, tem de interpretar simultaneamente as ondas e o vento, transformando a força do ar em velocidade.
É uma nova forma de viver o Atlântico.
Os baleeiros tentavam dominar os perigos do mar para sobreviver. Os surfistas aprendem a aproveitar as ondas. Os fãs de windsurf acrescentam o vento ao seu desafio.
O mar continua o mesmo, mas a forma como nos relacionamos com ele mudou completamente.
O Rocher de la Vierge: um olhar sobre a história de Biarritz
Entreas coisas a ver em Biarritz, não podes deixar de visitar o Rocher de la Vierge, uma das vistas mais famosas da cidade.
A rocha fica mesmo à beira do Atlântico e está ligada ao continente por uma passarela. Daí, tem-se uma vista espetacular sobre a costa.
É também um dos melhores sítios para perceberes o quanto o oceano foi fundamental na história da cidade.
Diante daquela extensão de água, dá para imaginar os barcos dos baleeiros, os passeios da aristocracia do século XIX e, muito mais recentemente, as pranchas dos surfistas.
Três épocas completamente diferentes, unidas pelo mesmo horizonte.
Biarritz, uma cidade que sempre viveu junto ao mar
O que torna Biarritz tão especial é que nenhuma das suas várias identidades apagou completamente a anterior.
A cidade dos pescadores ainda está presente no Port des Pêcheurs e na memória da caça à baleia. A época imperial continua viva nas vilas, nos hotéis, no Hôtel du Palais e nos edifícios da Grande Plage. Já a cultura do surf vive nas praias e, sobretudo, na Côte des Basques.
E, acima de tudo, continua a dominar o Atlântico.
Primeiro, foi avistado pelas vigias do Atalaye, à procura do jato de água de uma baleia. Depois, foi admirado pelos aristocratas europeus durante as suas estadias de verão. Por fim, foi enfrentado pelos surfistas e pelos fãs de desportos aquáticos.

Das baleias às pranchas de surf
Talvez a forma mais sugestiva de falar de Biarritz seja precisamente através desta longa viagem.
Primeiro, as baleias.
Durante séculos, os pescadores enfrentaram o Atlântico para caçar os grandes cetáceos. Em março de 1686, foi capturada a última baleia mesmo nas águas de Biarritz, encerrando assim uma página fundamental da história marítima da cidade.
Depois, a aristocracia.
A Eugénia de Montijo e o Napoleão III transformaram Biarritz numa grande estância balnear, atraindo reis, príncipes e aristocratas de toda a Europa. A cidade tornou-se a «praia dos reis».
E, por fim, o surf.
Em 1956, o Peter Viertel olhou para as ondas da Côte des Basques e viu algo que, até então, quase ninguém em França tinha visto: um sítio onde se podia surfar no Atlântico. A prancha partiu-se, o Georges Hennebutte reparou-a e as primeiras tentativas de surf em Biarritz começaram a transformar-se numa verdadeira cultura.
Desde então, Biarritz continuou a construir a sua identidade em torno dos desportos aquáticos, até se tornar um dos destinos internacionais mais conhecidos para o surf.
Os barcos mudaram, as pessoas mudaram e, acima de tudo, mudou a forma de viver o mar.
Mas o Atlântico sempre esteve no centro da história de Biarritz.
E talvez seja essa a verdadeira razão pela qual visitar Biarritz significa muito mais do que passar uns dias na praia. Significa percorrer séculos de história numa cidade onde as lendas dos caçadores de baleias, a elegância da aristocracia europeia e a cultura do surf ainda hoje convivem à beira do mesmo oceano.
Biarritz é uma cidade que aprendeu a conviver com o mar: primeiro desafiando-o, depois admirando-o e, por fim, surfando nas suas ondas.
Como organizar uma viagem a Biarritz para praticar surf
Para quem, depois de conhecera história de Biarritz, quiser experimentar o surf em primeira mão, organizar uma viagem à costa basca francesa é relativamente simples.
A Côte des Basques é o principal ponto de referência: é considerada o berço do surf europeu e oferece condições ideais tanto para quem está a dar os primeiros passos como para os surfistas mais experientes.
Quando ir a Biarritz para fazer surf
Biarritz pode ser um destino para o surf durante grande parte do ano, mas a escolha da época depende do teu nível e do tipo de experiência que procuras.
Para quem nunca fez surf, o verão é a altura mais fácil para encontrares uma grande variedade de cursos e serviços, mas é também a altura em que há mais turistas.
Quem já tem experiência pode, por outro lado, escolher épocas menos movimentadas, quando o Atlântico pode apresentar condições mais exigentes e a cidade fica com um ambiente mais tranquilo, como no outono, entre outubro e novembro.
Seja como for, antes de entrares na água, é essencial verificares as condições do mar e os horários das marés.
A Côte des Basques é, de facto, uma praia muito afetada pelas marés e, em certas fases da maré alta, a zona arenosa pode ficar completamente submersa.
Côte des Basques ou Grande Plage?
Para quem vem a Biarritz com o objetivo principal de fazer surf, a Côte des Basques é a escolha mais óbvia. É o local emblemático da história do surf da cidade e tem várias escolas.
Também a Grande Plage, no centro da cidade, tem zonas dedicadas aos desportos aquáticos. A sua localização é especialmente prática para quem quer alternar entre desporto, passeios, restaurantes e a vida da cidade.
A Côte des Basques tem, no entanto, mais uma vantagem: permite-te viver exatamente o local onde o surf começou a sua história em França.
É melhor uma escola ou alugar a prancha?
Para quem está a dar os primeiros passos, a melhor opção é recorrer a uma escola de surf.
Entre as instituições históricas está a Jo Moraïz Surf School, fundada em 1966 na Côte des Basques e considerada a primeira escola de surf francesa. Oferece cursos para vários níveis e disponibiliza o equipamento necessário.
Para quem já tem experiência, alugar o equipamento pode ser a solução mais prática. Neste caso, é importante escolher uma prancha adequada ao teu nível e verificar sempre as condições do mar antes de entrares na água.
Uma viagem de surf não é só surf
Em Biarritz, podes planear umas férias em que o surf é o protagonista, sem ser a única atividade.
Podes passar a manhã numa aula na Côte des Basques; depois do surf, podes voltar para o centro, dar um passeio pela Grande Plage e chegar ao Rocher de la Vierge.
À noite, por outro lado, podes descobrir a gastronomia basca ou simplesmente voltar à Côte des Basques para ver o pôr-do-sol do alto das falésias, um dos espetáculos mais impressionantes da cidade.
É precisamente esta combinação que faz com que Biarritz seja mais do que um simples destino para surfistas.
Aqui podes entrar no oceano no mesmo sítio onde, há quase setenta anos, uns pioneiros franceses começaram a descobrir o surf; algumas horas depois, podes passear entre os edifícios da Biarritz aristocrática e, antes disso, conhecer a história dos pescadores que, durante séculos, caçaram baleias.
Uma viagem a Biarritz para fazer surf torna-se assim também uma viagem pelas várias facetas da cidade: das baleias aos reis, dos reis aos surfistas.
Curiosidades e perguntas frequentes sobre Biarritz
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Qual é a diferença entre os Laminak da mitologia basca e as sereias da Odisseia de Homero?
Ambas as figuras usam o canto para enfeitiçar os marinheiros, mas a semelhança fica por aí.
As sereias homéricas da Odisseia são criaturas hostis, cujo canto leva deliberadamente à morte quem se aproxima delas. Os Laminak da mitologia basca, por outro lado, pertencem a um universo folclórico muito diferente e não são necessariamente retratados como seres maléficos.
Na lenda da Roche Percée, o canto delas é uma tentação à qual os pescadores cedem, ignorando as ordens do capitão.
A diferença mais profunda está, portanto, na intenção: as Sereias são predadoras na tradição homérica, enquanto os Laminak pertencem a um mundo sobrenatural mais complexo, no qual podem ter relações diferentes com os seres humanos.
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O que é a Côte des Basques?
É a praia ao pé das falésias a sul do centro de Biarritz, considerada o berço do surf europeu. Foi aqui, em 1956, que o Peter Viertel começou a experimentar o surf nas ondas locais, dando início ao nascimento do surf francês.
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Porque é que Biarritz é conhecida como «a praia dos Reis»?
Porque, no século XIX, graças a Eugénia de Montijo e a Napoleão III, a cidade tornou-se um destino de férias para reis, príncipes e aristocratas de toda a Europa, chegando a receber cerca de 10 000 turistas por época.
- Quem era o Peter Viertel?
O Peter Viertel era um argumentista e escritor americano, além de surfista. Durante as filmagens de «The Sun Also Rises» em Biarritz, em 1956, ele percebeu que a Côte des Basques tinha condições ideais para o surf. Depois de partir a prancha que tinha vindo dos Estados Unidos, começou a surfar com o Georges Hennebutte, que conseguiu repará-la.
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Quem eram os Tontons Surfeurs?
Eram o grupo de pioneiros que, entre o final dos anos 50 e os anos 60, contribuiu para o nascimento do surf francês em Biarritz. Entre os nomes mais importantes estavam Georges Hennebutte, Jacky Rott e Joël de Rosnay.
- De que é que fala o filme «The Sun Also Rises» (O Sol Também Nasce), do Peter Viertel?
«The Sun Also Rises» (O Sol Também Nasce) foi a primeira adaptação cinematográfica do romance homónimo de Ernest Hemingway, de 1926. Realizado por Henry King e produzido por Darryl F. Zanuck para a 20th Century Fox, o filme estreou nos cinemas em 1957, com Tyrone Power, Ava Gardner, Mel Ferrer e Errol Flynn.
O guião foi escrito pelo próprio Peter Viertel, que, durante as filmagens em Biarritz, em 1956, teve a intuição que viria a mudar a história do surf francês.
Já que falamos do Ernest Hemingway, lê também o nosso artigo sobre Key West e os gatos de seis dedos do escritor.

